Monday, January 14, 2008

Those Hands


Foi a saudade e o reencontro, o que lá encontrou. O homem era igual. Mas não era o mesmo. Os mesmos traços nos olhos e uma expressão profundamente diferente.

Ao entrar pela porta, estremeceu. A semelhança era aterradora. Foi tomada pelas mãos e convidada a sentar-se. Frente a frente. Ele debruçado sobre a mesa tentando ler-lhe nas expressões as palavras que ela recusava. Ela recostada na sua cadeira, contendo as emoções que lhe castigavam o peito. Engolindo o choro que lhe escapava em cada gesto. Acariciando uma dor a que se afeiçoou com o tempo. E ele, aproximando o seu olhar, mergulhava irreflectidamente no dela, desvendando o seu espectro infinito. Ao fitá-la, pendia o rosto ligeiramente para o lado, incompreendo o que via. Palavras eram frequentemente proferidas, ora por um, ora por outro, mas isentas de conteúdo. Ele procurava antes as impronunciadas, desdobrando-lhe os movimentos. Ela evitava o confronto directo, fixava um quadro na parede ou um objecto sobre a mesa. Ele, procurando-lhe o verde dos olhos, segurou as suas mãos, falando-lhe directamente para a alma. Os olhos dela fugiram-lhe para os dele e lá ficaram cativos.
Ele segurava-lhe as costas como quem acaricia. Como quem promete o amparo. Ela, entorpecida pelo toque gentil, deixava-se ir. Sentia a sua presença numa respiração leve. Na energia que ele emanava perto do seu corpo.

Foi o Universo.