Azul, flutuo à deriva, sem sítio para chegar, sem horas marcadas no horizonte, a minha pele, semi molhada e seca à cadência lenta, sussurrada, das ondas, não se decidindo que parte da linha de água ocupar, dar o corpo à deriva, usar, gastar e perder o tempo, que o tempo ninguém o tem.
Fecho os olhos e vejo as marcas de luz, ao longe, num sítio que não existe, o som abafado na água, ora vai, ora vem, o sal a queimar bocadinhos do rosto, o sol a salgar os lábios, o cabelo, revolto, alinhado, sedoso, dançando a água, ora tocando, ora afastando-se dos meus ombros.
O azul, são os olhos castanhos, quando fecho os meus. O azul, na música que essa voz embala, para te aproximar mais um milímetro, escutar a tua respiração, um movimento que paralisa a terra, todos devem guardar este momento, esse pequeno milagre que deus nos ofereceu, essa cor que te faz gente do mundo.
Azul, dizes-me baixinho, soprando um lugar bonito onde marco já o próximo encontro, vejo-te lá, sinto-te lá, sem ninguém saber, esqueço-me nesse lugar imenso que é a origem e o destino de tudo, esse azul que me ensinaste, esse azul para onde te resgato.
Azul és tu, dir-te-ei nos olhos.
Thursday, May 13, 2010
Wednesday, May 5, 2010
Quero demorar-me mais pouco. Quero permanecer neste espaço onde estás tu. Quero imergir nesta tua presença que enche e transborda. Quero esta saudade que fere e ampara. Quero um sítio só nosso. Quero morrer e nascer. E fazê-lo várias vezes para te ver pela primeira vez todos os dias. Quero um dia, e não uma hora, só para mim. Quero fazer novas memórias contigo e cristalizá-las numa música lenta que mais ninguém conhece.
Quero. Um dia.
Quero. Um dia.
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