Thursday, April 14, 2011

disappointement

são pequeninas as coisas que se podem apreciar enquanto se está só..
ontem, ao afastar-me daquela casa, outrora tão familiar, algo maior se entrepunha entre mim e a distância que dela ia deixando para trás. o afastamento. um isolamento tão pesado que já nem me reconheci a percorrer aquela avenida.
não chorei. não mais. aprendi a viver e a sofrer sem a ajuda de ninguém, pois é nesses mínimos instantes de fraqueza, em que cedemos ao apoio de um ombro caloroso, que aprendemos da pior maneira, que só nos temos a nós próprios. dei muito, tanto, lutei sempre, corri para segurar aquilo que eu queria mas... infelizmente, essa urgência, essa inevitabilidade que só quem ama sente... foi só minha.
a casa tinha um cheiro morno, madeiras antigas, o sol nas paredes brancas, os lençóis de lavado, a roupa estendida, a cozinha intocada. pequenos montes de roupa acabados de chegar ou preparados para fazer uma viagem, não consegui perceber. a minha presença diluiu-se entre as quatros paredes, não a sinto em lugar nenhum.
queria ter-me despedido melhor, queria ter vertido uma lágrima, ter dado o último abraço, mas um sentimento mais forte, de que esse último abraço não era desejado, invadiu o meu peito. subitamente senti-me uma estranha em delito, a trespassar uma propriedade alheia. e tal como tantas vezes assisti fazer, virei as costas e fechei a porta atrás de mim.