Tuesday, November 27, 2012

again


Voltar ao ponto de partida. Parar. Respirar. Inspirar, reter o ar nos pulmões tanto quanto possível. Tanto quanto necessário para me poder agarrar a uma ideia, a uma memória, a uma emoção ficcionada por mim. E dói, um bocadinho, noutro bocadinho dá prazer, que o que queremos é o sangue a mexer. 

Adoro a sensação da paixão ou do engano de a sentir. Adoro o tremor nas pernas, as forças a se escapulirem, a melodia numa voz, o desconforto de um olhar, o peito a disparar, com um toque, apenas um toque, suave, ligeiro, ou apenas a ideia dele. Isso eu não largo. De me apaixonar todos os dias, em todos os minutos, apaixonar-me por qualquer grão de areia que não tem interesse nenhum para mais ninguém, a não ser para mim. Reconhecer e reivindicar para mim, as minudências que fazem de uma pessoa A pessoa e não qualquer outra. As coisinhas que me arremessam para outro lado, que deixam os meus interlocutores num monólogo, traços e borrões que juntos não conseguem constituir um desenho, alarvidades do destino, incongruências da razão. Apaixonar-me todos os dias, por coisas diferentes, apaixonar-me todos os dias mais um bocadinho, (re)apaixonar-me todos os dias pela mesma pessoa. 

Um dia o amor cresce, surge como flor da terra e nós não esperávamos.. Um dia... um dia chego lá. 

Um dia, as nuvens abrem-se, a janela, o sol, a luz da manhã, o peito enche-se novamente. 

Hoje tive o peito cheio, meia hora (ou foram cinco minutos?), ele há coincidências do camandro. Tudo se precipitou para que nada me faltasse, para o que me fizesse falta estivesse lá, tudo se configurou por iniciativa própria, eu incrédula, tudo arrumado, tudo no sítio, eu quieta, as coisas a virem até mim, imagine-se só. 


(disseste que eu estava mais crescida.. passaram dois anos e ainda vejo o meu reflexo nos teus olhos)

E ainda, no meio disto tudo, uma surpresa paralela, que boa surpresa, continuem a vir que eu continuo a receber. 


Olhos bonitos.




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