Friday, June 6, 2014

Stay

Onde estás tu, que deixaste o teu cheiro nos lençóis vazios ao meu lado? Onde estás tu, que me fazes navegar entre a paixão e o ódio em minutos, que ridicularizas tudo o que de bom e de mau há no sentir? Com que perfume provocas essa vertigem que me dá e tira o chão a seu belo prazer, que me fazes tremer as pernas,  que me faz ter de agarrar a voz que foge, que se mudifica quando chamas, o som que não pode sair tremido à cadência descontrolada que fazes ao meu corpo?
Que dissimulação é essa que levas ao olhos e que, ao lhe juntares um sorriso - esse mesmo - me fazes transpirar de desejo? Com que direito entras na minha vida a pés juntos para depois não ficares? Para que imaginário me transportas com esse beijo de alma, esse amor de chama, essa febre que só alivia quando fechas a porta atrás de ti?
Para que fico feita tonta a espreitar à janela na expectativa desse sinal de que  vens, tens de vir, só podes vir, para mim?
Como esconder este corpo que tem vontade própria e que corre para o teu, que lhe pertence, que se  embebeda de ti e que quer sempre mais, num milagre que  nem pertence a este mundo?


Entra, devagarinho, sem fazer barulho. Pois se assim for, ficarás por muito tempo.

Friday, January 17, 2014

Hoje tive saudades deste texto. Fui buscá-lo ao báu.


Quanto tempo temos para nós? Quanto tempo podemos esperar que a vida mude para fazermos alguma coisa dela, alguma coisa que nos seja importante? Podemos inventar todas as desculpas, a mais óbvia, não temos tempo, ou não temos dinheiro, ou a profissão não permite, ou ainda não chegámos àquele ponto da carreira do qual conseguimos sentir o cheiro do sucesso, para que nos sintamos realizados o suficiente para... finalmente começar a viver.

Não quero esperar. Não quero que o tempo tome conta de mim, quero eu antes fazer dele aquilo que eu preciso. Quero amar o homem que amo, quero que ele me ame de volta com toda a lamechice e foleirada que está associada. Quero romance, palavras bonitas, sorrisos carinhosos, quero ficar horas a olhar para ele e imaginar de que cor será os olhos dos nossos filhos, a que feitio vão puxar, quero ser mãe dos filhos e do pai, quero que ele seja pai de todos também. Quero cozinhar para todos e reclamar para que comam a sopa e a salada, quero-lhes contar, vezes sem conta, a história de como me apaixonei pelo pai. Quero que eles tenham mais respeito pelo pai, mas que venham a correr para mim quando lhes doer a barriga. Quero que o pai lhes conte histórias e que chame pelas minhas cantigas quando ainda não os tiver conseguido adormecer. 
Para estas coisas não se tem tempo. Tem-se vida.