Friday, June 6, 2014

Stay

Onde estás tu, que deixaste o teu cheiro nos lençóis vazios ao meu lado? Onde estás tu, que me fazes navegar entre a paixão e o ódio em minutos, que ridicularizas tudo o que de bom e de mau há no sentir? Com que perfume provocas essa vertigem que me dá e tira o chão a seu belo prazer, que me fazes tremer as pernas,  que me faz ter de agarrar a voz que foge, que se mudifica quando chamas, o som que não pode sair tremido à cadência descontrolada que fazes ao meu corpo?
Que dissimulação é essa que levas ao olhos e que, ao lhe juntares um sorriso - esse mesmo - me fazes transpirar de desejo? Com que direito entras na minha vida a pés juntos para depois não ficares? Para que imaginário me transportas com esse beijo de alma, esse amor de chama, essa febre que só alivia quando fechas a porta atrás de ti?
Para que fico feita tonta a espreitar à janela na expectativa desse sinal de que  vens, tens de vir, só podes vir, para mim?
Como esconder este corpo que tem vontade própria e que corre para o teu, que lhe pertence, que se  embebeda de ti e que quer sempre mais, num milagre que  nem pertence a este mundo?


Entra, devagarinho, sem fazer barulho. Pois se assim for, ficarás por muito tempo.

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