Seis horas da manhã. Desperto com uma repentina secura na garganta e um arrepio pelo corpo. Ou talvez com o sentido da responsabilidade, não sei. Nenhuma vontade de me levantar ou de permanecer deitada. O corpo é arrastado até à cozinha onde me dissolvo num copo com água. Há um silêncio avassalador pela casa. Penso que sou a única pessoa na Terra. Os olhos inertes fixam-se no azulejo falhado da parede. As costas curvadas e os braços mal apoiados sobre a mesa da cozinha. Sou incapaz de me mover. Reflicto sobre as actividades planeadas para o dia que ainda não chegou. Não encontro nada. Só o silêncio a ferir os sentidos. Observo as paredes em redor e não reconheço o espaço. Não me recordo do que fiz ontem. Ou no dia anterior. Não sei quem por cá habita. Digo o meu nome em voz alta e não me identifico com ele. Há presenças estranhas por todo o lado. Escuto, à distância, uma voz, que talvez não seja mais que um pensamento, a ordenar-me descanso. Obedeço. Desapareço sob o peso dos cobertores. A meu lado o sentimento de pertença que não encontro em mais nenhum outro lugar.Imagem: www.flickr.com
que bom que é descobrir novos visitantes... vou continuar a passear por cá.
ReplyDelete=)