Imobilizá-lo naquele preciso minuto com que susteve todos os outros. As memórias, vagas, esbatem-se entre história e desejos. Os nomes dos que conheceu são difusos, parecem já não chamar ninguém. Muitos dos que fundamentavam a sua existência já haviam desaparecido. E ela perguntava-se se já não teria desaparecido também. Já não se reconhecia em nenhum reflexo, a forma do seu rosto tinha já pouco daquilo que a distinguia. Maçãs do rosto salientes, olhos vivos, sorriso alinhado. A pele, antes firme e aveludada, agora desagarra-se do corpo como a vontade de viver. A postura aprumada foi flectida pelos anos. A sua fragilidade tornou-se indissimulável, tendo que conter o constrangimento com que recebe a caridade de um lugar sentado. As pernas já não respondem aos caminhos e os movimentos desenham-se numa (ausência de) velocidade própria.
E a plena consciência de estar perto do fim, que o tempo se esgota para o crédito que lhe foi atribuído, a injustiça de não lhe ser permitido protelar. Imaginar-se confinada sob a terra, atacada pelos seres que lá habitam, ser esquecida pelos poucos que ainda a recordam. Querer mais da vida e não poder. Ter medo. De adormecer para sempre. E ela? E a vida? E o horizonte? E o pôr-do-sol? E as gargalhadas das crianças? E o amor? E o abraço caloroso de que tanto sente falta?
Querer mais e não ter. Apesar da convicção de ser um princípio. De que tudo se repete. De que todos se encontram eventualmente. Mas, e aquela alma? Conseguida a ferro e fogo, dando o peito à vida mesmo quando esta lhe acometia um golpe pungente. E aqueles olhos, que são só seus, que contam apenas as suas crónicas? E as suas preciosas mãos de trabalho? Para onde irá?
Medo do fim. Medo do princípio.
Imagem: www.flickr.com
E a plena consciência de estar perto do fim, que o tempo se esgota para o crédito que lhe foi atribuído, a injustiça de não lhe ser permitido protelar. Imaginar-se confinada sob a terra, atacada pelos seres que lá habitam, ser esquecida pelos poucos que ainda a recordam. Querer mais da vida e não poder. Ter medo. De adormecer para sempre. E ela? E a vida? E o horizonte? E o pôr-do-sol? E as gargalhadas das crianças? E o amor? E o abraço caloroso de que tanto sente falta?
Querer mais e não ter. Apesar da convicção de ser um princípio. De que tudo se repete. De que todos se encontram eventualmente. Mas, e aquela alma? Conseguida a ferro e fogo, dando o peito à vida mesmo quando esta lhe acometia um golpe pungente. E aqueles olhos, que são só seus, que contam apenas as suas crónicas? E as suas preciosas mãos de trabalho? Para onde irá?
Medo do fim. Medo do princípio.
Imagem: www.flickr.com

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