
E ele, desencorajando e provocando-a, não sou melhor que o mais que tens, sou imperfeito e falível.
Ela, suspirando, raiva, angústia, cansaço, cobrindo os olhos com duas palmas, alisando os caracóis sobre a nuca, inquieta, irritada, olhando o tecto, depois a varanda, despeitada, e depois o tecto, contestando com a cabeça, e depois virando o seu corpo para ele, e finalmente fitando-lhe os olhos furiosamente.
Ela gosta de como ele trata bem um estranho na rua, lhe cede um cigarro (o seu último), um sorriso e agradece, um aperto de mão e um, amigo até à próxima, encarnando o pobre diabo, gosta de como lhe beija a testa por não saber bem onde lhe pode (de como ela quer) tocar, os pulos de alegria, criança, numa surpresa inesperada, na determinação com que quer (e acredita) ajudar o mundo, de como sofre com a descensão de quem lhe fez (muito) mal, da forma como se apaixona (não por ela) pelas pessoas, no bom que vê nelas, no amor que lhe dá e que obriga a ser retribuído a outros, gosta que ele ache graça em apertá-la, os músculos ligeiros sob a roupa larga demais, diz-lhe ele, gosta que a eduque com música, com as palavras, com os sabores e o que deve guardar deles. Gostava que gostasse dela.
Gosta, mas não assim, confessa ele. Chora, mas só por dentro, veste o casaco, pensando, a lua cheia já não me trará a este lugar.
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