Tenho dúvidas sobre o que faço. Acerca das motivações que movem o meu passo. Dou por mim enganada comigo mesma, a acreditar que quero qualquer coisa só porque me é impossível consegui-la. Aflige-me a inevitabilidade e a irreversibilidade dos impossíveis, não os aceito de coração livre. Quero esquecer as consequências e não pensar no que pode vir com o dia seguinte. Forço-me à consciência, quando ela teima em se esconder num recanto das minhas responsabilidades. Cativa num oceano de liberdade. A escolha, o deixar qualquer coisa que não conheço por agarrar. O dia a seguir ao outro e a inconsequência do que não consigo atingir. A paz de espírito, a gratificação. O auto-respeito, a auto-estima. O peito apertado com o que ainda não tenho. Com o que ainda não cresce lá dentro.
Quero abraçar o desconhecido sem medos. Quero pensar na vida sem segundas intenções. Preciso dissipar a nébula que lá antevejo, o meu reflexo distorcido num momento que ainda não chegou. Quero ser uma árvore forte e imponente, deixar cair as folhas, quando delas já não precisar. Quero fazer crescer raízes à terra que chamo casa. Amar quem lá eu encontro. Encontrar quem eu vou amar. Amar quem me faça sorrir. Esquecer-me daquilo que nunca terei. Deixar à sorte o meu destino.
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