As duas amigas não vêem, não se falam, não se procuram. Durante algum tempo. Demasiado. Mais do que faz qualquer sentido. Há sempre toda uma vida a impedir e uma iniciativa que é vencida pela comodidade.
Passe o tempo que passar. As conversas são sempre retomadas de onde foram largadas.
Uma insiste com a outra. Uma que conhece bem a outra, mais que a última se lembra. Ela insiste. Eu sei o que tu queres e tu às vezes continuas à procura nos sítios errados, por isso foges de mim. A outra tenta esquivar-se disso, não querendo dar aquela oportunidade que lhe é solicitada. Não faz sentido, diz-lhe, não é suficiente.
E um dia. Um dia. Há uma surpresa. Apesar de não lhe querer dar a oportunidade, esta surge à sua frente. Qualquer coisa muda, serão os seus olhos, será o seu peito que se abriu?
Foi procurada, com uma espontaneidade que lhe impediu de recusar o convite. A luz do dia está diferente, a voz que lhe fala, está mais doce, os olhos mais brilhantes.. e de repente, algo muda. A vontade é plantada nela como uma semente que, sem querer, é regada por um aguaceiro de Abril. E a planta ganha vida. Algo em si é amornado, aquela presença deixa de lhe ser indiferente. Quer mais. E mais. O almoço termina mais depressa do que ambos desejavam, porque as obrigações não facilitam nem um bocadinho. Despedem-se, até já, as mãos tocam-se e os olhares também.
Conheces-me bem, reitera a outra à amiga.. continua a querer sempre cuidar de mim.
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