Monday, July 9, 2012

Há um barulho que não se ouve. Há um ruído mudo que confunde esse sentido da audição, quando nem reparamos o que se passa em nosso redor. Há uma tristeza no peito de uma mulher que perde um filho, no homem que se divorcia da mulher daquela que, independentemente do papel rubricado, será sempre sua, daquela da que já não consegue dissociar das suas frustrações. 
Há um burburinho das águas que rebentam em rochas lisas e que se propaga por uma floresta adentro, coisas que estão lá, estarão sempre lá, e não as escutamos. Os pássaros que nos acordam de manhã, empoleirados em árvores que roçam folhas umas nas outras, a indicar-nos se está ou não vento, a dar-nos sinais, sinais que preferimos não reconhecer.
Há um barulho surdo e mudo que se vê. Há um coração que bate mais forte no peito da mulher que sente um cheiro, aquele cheiro que, passe as estações do ano que passarem, será sempre o cheiro que a sua pele vai reconhecer. Esse barulho não se ouve. Vê-se, nas suas pupilas que dilatam, nos poros que eriçam em arrepio, uma vertigem que quase faz cair, quase faz cair, e quase se pode ver, um espectro de si, planando sobre o solo morto. 
Há saudades que não têm som, que não têm cor, que não tem sabor. A angústia do querer ver, querer estar, querer tocar e não poder, porque não se pode, não se pode, não se pede. 


Os sentidos também se deitam fora?

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