Repetidamente, diz o seu nome, vezes sem conta, em voz alta ou em pensamentos, escondida ou em frente ao espelho. Tenta rasurar o som que ele tem, que ele sempre teve, por uma voz que assombra o seu peito. O seu nome, que só o era numa única voz, essa palavra vazia que só assim ganhou significado, um termo surdo, que já não era o seu nome, mas um ou dois adjectivos, esses sim eram o seu nome, esses sim eram a única expressão do que a definia, uma impressão digital do seu ser, que chamavam às suas propriedades, como o faz o botão direito do rato.
Vagarosamente, demasiadamente, como se toda uma eternidade coubesse num segundo, o mundo parece querer continuar. E ela agarra-se a esse movimento, maquinalmente, sem saber onde a levará. Absorveu os químicos que lhe bloqueavam as emoções. E nesse momento, morreu sem dor. E tão facilmente com que os procurou, deitou-os fora, com todas as consequências, sem responsabilidade ou arrependimento.
Pequeninas coisas dão-lhe sinais de que é assim que tem de ser. Avariam-se-lhe os aparelhos que foram escolhidos num determinado contexto só para si. E ao substituí-los, sente-se trair tudo o que ficou para trás. Mas é assim.
Pé, ante pé.
Sem olhar para trás.
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