Imóvel, no centro da gigantesca alameda, contemplava-a como um rebento na montanha, observando a sua dimensão que se estendia em ambos os sentidos para além de si. Uma aragem prudente arrefecia-lhe as mãos descobertas e agitava-lhe o cabelo desalinhado. Pontualmente, surgia gente que vagueava desprevenida, franzido a testa ao brilho cinzento próprio do Inverno, encolhida sob os casacos insuficientes, fechando o corpo ao frio que se instalou sem aviso. E ele, agora sentado no seu banco de jardim, plantado num ponto improvável da avenida, entre betão e fumos de escape, observava inexpressivo. O ruído seco das folhas de árvore condenadas, as estátuas solitárias de olhar sofrido e a gente sem tempo para ficar. Sem destino, diluía-se no movimento pardacento e lesto da cidade. A noite abateu-se sobre si sem dar por isso. O fim do dia, a conclusão da luz, final de vida. Amarelo e preto em seu redor. Luz artificial e ausência dela. Semáforos mais distintos. O vermelho a ditar a solidão da ausência de carros. Escolheu um dos sentidos e desapareceu num ponto escuro da grande alameda.Imagem: www.flickr.com
escolheu uma alameda
ReplyDeletee desapareceu por entre os sentidos
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