
És tão linda que nem pareces real. Tens música nos movimentos e mel na voz. Dá vontade de te escutar, olhando-te, os sorrisos como vírgulas nas frases sem os quais não conseguias falar. És tão ponderada, não deixas nenhuma contigência ao acaso, consideras todas as possibilidades. Os teus conselhos, tal chave na fechadura, abrem portas, assentam em perfeita harmonia nas indecisões.
Sabes tanto, ou então, queres sabê-lo. Fazer-te feliz é encontrar, cara a cara, a própria felicidade. Tudo pelo som de uma gargalhada tua. Se conhecesses o efeito da coreografia dos teus movimentos, perpetuarias cada gesto teu. E o teu perfume, de rosas e morangos, inunda a sala não deixando espaço ao que não é belo.
E eu, diante ti, tão vulgar, tão cheia de imperfeições, de silêncios nas palavras, que as mal consigo balbuciar contigo. Eu, de mãos secas, unhas descuidadas, cabelos desgrenhados, olhar cabisbaixo, como me posso dirigir a ti? Seria quase pecado macular a tua perfeição com a minha rude presença. Gostava de crescer e poder, um dia, ser bela como tu. Plena de amor. Carícias como consentimento. Beleza genuína com vida própria. Irreproduzivel e rebelde, como o vento. Impossivel de capturar. Todos os dias nascem flores. Que águas te regaram, questiono-me, que sentimentos te cultivaram?
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