
Não sei o que fazer dela. Rodeia-me, como um suspiro que não fala, um toque gelado, desapiedado. Ela observa-nos, como que a dizer que da sua vontade depende a minha última paixão, os olhos que pela última vez verão o meu sorriso, a quem dar o último abraço, que último nome chamar, que venha dar-me a mão, o último amparo. De quem me conseguirei despedir. Pedir perdão à vida que não gerei, por minha culpa, a continuidade de que não tive tempo, a batalha desleal, inútil travar. Guardar o último fôlego.
Pedir perdão a quem fica. Recusar as lágrimas. Devolver o amor, como uma compra enganada, um investimento perdido. Abençoar-te e desejar que a vida continue, para além de mim.
Imaginar que te lembrarás. Os meus olhos, os meus gestos, que se possam desenhar na tua memória, nas histórias que irás contar.
Continua a olhar para as estrelas sem mim, talvez me encontres.
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