Hoje é um dia triste. Hoje é um dia cinzento e está sol lá fora, azul lá em cima, brilho na imensidão de mar à minha frente. E ainda assim cinzento, à minha volta, cinzento cá dentro.
Eu pressentia essa dama escura a pairar sobre a minha exiguidade cá em baixo, a espalhar o pó da inevitabilidade nos meus olhos. E eu escondi-me na improbabilidade, empurrei com a barriga o problema para longe de mim, como se dar amor fosse uma tarefa com prazo. Mas não sou eu que marco o prazo, o prazo marca-me a mim, e concretiza-o sem aviso.
E agora perdi essa velhinha que me ensopava o pão no leite com café, que me levava em mão com ela ao peixe e me oferecia salames de chocolate e Sumol de laranja. Perdi-a sem lutar por ela. Fechei os olhos, ela fechou os olhos, recolhi a mão, ela estendeu-me a mão, calei o amor, ela afagava o meu cabelo. E agora, não há retorno.
Há dias em que parece não fazer sentido o Sol brilhar...
ReplyDeleteNada ocupará o vazio deixado por alguém que nos é e sempre será querido. O único conforto que encontramos é quando finalmente conseguimos sentir o amor dessa pessoa dentro de nós...
Ficam as coisas boas, as pessoas boas que perdemos ficam a fazer parte de nós que as recordamos. Somos as senseções e as experiencias que tivemos. Sorri ao recordar. Os meus sentimentos.
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