Ela acolhia, no seu colo, a tristeza dele, que lhe fazia pesar a cabeça e baixar os braços. Passava as mãos pelo seu cabelo, confortava-o, que era preciso paciência e que o amor é mesmo assim. Ele lamentava com toda a convicção que a única mulher que podia amar não o queria, mas vai esperar por ela, que passe o momento, que amorne a paixão própria da idade.
E ela, enquanto alisava a sua pele com os dedos, e desenhava círculos nas maçãs do seu rosto divagava, a que saberiam os seus lábios? Imaginava-se enrolada nos seus braços, segura pelo seu peito.
Evitava o seu olhar dele, irredutível, não sabia como não ficar sem ar, como não paralisar àquele confronto de espelho de água, não devia ser permitido olhar assim. Não devia haver uma voz tão grave e serena que lhe estremecesse as pernas. E o seu cheiro, embriagava, as moléculas do seu aroma quente, de doce e álcool, magnetizavam a sua pele à dele.
Fugir, disfarçar, que ele não me quer assim, ele não me conhece assim. Queria dizer-lhe outra coisa, gosto de ti, eu estou aqui e vou cuidar de ti, tratar-te como um rei, quero-te muito, vou perder a cabeça e dizer que te amo, que o amor não conhece vergonha, mas vou dizer-te baixinho ao ouvido, não contes a ninguém, vou olhar-te, assim de longe, horas e horas e horas, a minha vida e a próxima.
Mas não, ele não sabe nem vai saber, ele não a vê e não a ouve.
O amor só existe a dois, diz-lhe ele, o amor reside apenas nela, não há mais ninguém - e qualquer coisa se parte enquanto o escuta - não vai haver mais ninguém - e o peito gela e os olhos vacilam, dá-lhe um abraço, festas no cabelo ondulado, beijo no rosto, inspira bem forte, coragem dentro do estômago, aproxima os lábios do seu ouvido, e sussurra-lhe bem de perto, e bem baixinho - paciência, querido, ela um dia será tua.
Simplesmente muito bom!
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