Thursday, October 21, 2010

Menina

Menina pequenina e tímida, atrás das saias da mãe, a esconder o sujo das meias, e a vergonha do tropeção que as marcou, o rubor do rosto quando alguém repara. Menina, insegura e solitária, dona de si, dos seus silêncios, dos seus momentos, do seu tempo à sua música, do seu vinho à janela nas luzes de Lisboa à noite. Menina com medo do silêncio, sem memória desses instantes bons, de estar consigo mesma, do vento nos cabelos, de pensar alto, de andar descalça, despida, pela casa, da liberdade cativa de estar só. A menina de quem alguém se lembrou, desaparecida, por onde anda, escondida dentro de si, discreta, para que ninguém a chame, para que ninguém a lembre. Menina, pequenina, estás longe, ausente. Estás mesmo aqui ao lado.


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