Saí do carro, ainda em andamento. Algumas nódoas negras, nada que não se desfaça com o tempo.
E agora?
Agora é tempo de parar para respirar. Agora sou eu que preciso de respirar. Sou eu que preciso ver todas as cores que tem o mundo, porque optei demasiado tempo pelo cinzento. Preciso eu agora de arrumar a minha cabeça. Já consegui enterrar as coisas que definitivamente não quero para mim. Arquivá-las. Agora estou em paz comigo mesma. Mudei o modo de pensar. Desconstruí o que se foi construindo, com base na minha imaginação. Esgotou-se a sede, extinguiu-se o fogo com a falta de oxigénio. Cada processo tem o seu tempo.
E onde está o meu processo? O meu começa agora. Completo. Sem reservas. Nada ficou por dizer ou fazer.
Agora o tempo é meu.
Vou agarrá-lo só para mim. Retirar as amarras que me prendiam, que me impediam de ver as flores e sentir os cheiros da primavera. Ela está a começar, e com ela, um novo ciclo.
Consegui retirar o peso que me estava a fazer deixar de acreditar em mim. Mas acredito em mim e no que eu sou e dou. Sou bem mais do que tenho sido. E disso, eu não abdico.
Que venha a primavera em pleno, estou pronta a recebê-la, de braços abertos.
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