Não consigo me conter. Não me consigo esconder. Não consigo mentir. Não consigo fingir indiferença, não quero jogar jogos. Quero ser eu, pela primeira vez, e para sempre, deixem-me ser eu. Não consigo mudar para uma versão mais comercial de mim.
O que são os pesadelos? Quem me assombra nos meus sonhos, quem entra no meu quarto escuro, se deita na minha cama, se encosta à minha almofada, afasta os meus cabelos e me impinge medos olhos adentro? Quem se atreve a interromper o meu sono de princesa, quem macula os lençóis de talco, quem me dá suores frios, palpitações, tremores e gritos?
Tens de desligar, elimina os pensamentos, entorpece o cérebro, desactiva as emoções, põe o coração à cabeceira, e deixa-o lá estar enquanto precisares de dormir.
Não sei desligar partes de mim para o que for. Tenho de me ter em pleno, durante as vinte e quatro horas das minhas actividades diárias. A chorar ou a rir, a ficar ou a partir, a beber ou a respirar, faço-o com cada molécula do meu ser.
Prudência ou medo? Prevenção ou indiferença? Ir com tudo, ir com pouco ou não ir de todo?
Tenho de ir, eu só sei ir, nem que seja para o vazio. Tenho de calar as vozes surdas da minha cabeça que me debitam mensagens subliminares ao minuto, não as posso ouvir, que eu já não sei nada, e engano-me mais do que acreditava. Os meus sentidos estão a perder-se de mim, orientam-me para os sítios errados. Enganam-me, mentem-me e eu, sem esse amparo extra-sensorial, não sei o que pensar, não sei sequer sentir.
Quem és tu e o que queres de mim? Se nem tu sabes, não me faças ficar para descobrir.
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