Monday, August 27, 2012

the art of war

Sim, dá vontade de gritar, sim dá vontade de, por uma vez que seja, dizer o que penso, sem pudores, sem medos, sem entraves. Dá vontade de ser acutilante, de usar as palavras do meu dicionário que almofadei por educação. Sinto-me a sair do salto, a estalar o verniz, a rodar a saia, a arreganhar os dentes, a mostrar as unhas, a soltar as amarras, a deixar a fera fugir e fazer estragos. Alguém, que não eu, que recolha os destroços. 

Mas não o faço.

Levanto a cabeça. Rasgo um sorriso condescendente. Foco-me nos olhos. Intimido e incomodo. Lamento. Vejo os lábios mexerem, balbuciam palavras sem nexo. Percebo o movimento em meu redor, é apenas uma encenação em câmara lenta. O meu corpo está lá, presente. Os meus pensamentos voam longe, noutra direcção, são livres. São impagáveis. Eu não estou cá. Isto é uma coisa, eu sou outra. Não me podem alcançar, não deixo. Eu sou eu, e a mim, não me podem ter. 

A minha casa é o mundo, a espontaneidade, o meu amante. 
"A vitória dos outros reside nos nossos medos."

Eu não tenho medo. Rasguei-o e deitei-o fora. Agora jogamos assim. Morte súbita. 
Are you sure you can handle me?

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