Friday, September 21, 2012
Thursday, September 20, 2012
Road to nowhere
Oiço-te enquanto os meus olhos tentam fugir dos teus, procuro um poiso inofensivo onde os esconder, para que eles não me acusem. Ao longe, as palavras em perfeito antagonismo do que eu quero ouvir, palavras (que quero vazias, descabidas) caem em mim como calhaus, como um chuva de sapos, como um balde de água gelada, como um estalo na cara, um puxão de cabelos, um tropeção escadas abaixo, um monumental equívoco, como quiseres. E antes fosse um pontapé no estômago. Antes qualquer hematoma que eu pudesse evitar fazendo gelo. Insistindo. Mas não. Estás convicto e irredutível. Fechaste o peito e repeliste tudo o que ameaça abri-lo. O rosto muda, um sorriso que se alinha em recta, um olhar que se semicerra, glaciar, os gestos indiferentes, um discurso formal, uma postura indiferente. Não me consigo aproximar. Não deixas, não queres.
Não posso fazer nada, não há sentido para isso. Quem te estragou? Quem foi que deixou esse dorido com gosto amargo na boca? Soubesse eu, dava-lhe uma lição, para aprender a não interferir na felicidade dos outros. Diz-me onde dói, que eu dou um beijo que faz passar. Prometo.
Não posso fazer nada. Não posso ser mais do que eu.
E assim sendo, tiro-te o chapéu e desejo-te sorte para o caminho.
Sunday, September 9, 2012
the weather is changing
Bem que senti o tempo a mudar, as nuvens altas a formarem-se, a ganharem peso e consistência, a descerem, a escurecerem, um vento, totalmente fora do contexto, a levantar-se.
Do nada, um lembrete [malandro, sacana, vil] a indicar-me um aniversário. De uma pessoa que já não está cá. Da minha pessoa preferida. Daquela que me levaram sem pedir licença. Tento, todos os dias, não pensar nele. Na imensidão que ele era e que ainda acredito que seja, onde quer que ele esteja.
Amigos convidam-me para sair, para a folia, para os copos, mensagens secas a criticarem-me a recusa.
Festejar o quê? Não iria suportar os sorrisos, as gargalhadas, o mundo a continuar a girar quando.. quando.. ele não está já nele.. Odeio todos os que se atrevem a sorrir nesse dia.
Tenho saudades tuas, meu querido. Puta da vida, da doença, da injustiça, odeio um Deus que o permite. Uma pergunta que jamais terá resposta (porquê? porquê? porquê?), nem esse conforto a religião nos concede.
Ao deixar a minha mãe em casa, reparo nos seus olhos brilhantes. Quer que a leve comigo para casa - não quero morrer sozinha, juras que não deixas a mãe morrer sozinha? - e eu não tenho resposta, não tenho coração para isto. Partiu-se nesse instante. Ela nunca me negaria este pedido. Largava tudo e vinha a correr em meu auxílio. A culpa de não lhe poder atender a este favor, vai morar sempre comigo, essa sim.
Não entendo esta história irónica que todos os dias me troca as voltas.
Saturday, September 1, 2012
hands tied
Mesmo nos dias de sol há tempestades. Há raios e coriscos que não vêm só do céu, mas de absolutamente todas as direcções. O que fazer? Fugir? Abrigarmo-nos o melhor que pudermos e esperar que passe?
Não há previsão possível. A mais ligeira brisa de verão pode desencadear a pior das tormentas. Tão impotente. Tão irrelevante. Tão inútil a minha raiva, as minhas lágrimas, o meu desespero. Nem tenho a quem odiar, não tenho um botão que desligue tudo o que me faz sentir medo. E o meu pior medo é tudo o que não tem a ver comigo. É uma batalha condenada, mas apenas sei que a não posso perder, não posso baixar os braços, não consigo viver com o peso do "e se" na minha consciência.
E tomo como refúgio os meus filmes, as suas histórias patéticas que alguém inventou para me fazer rir ou chorar. E tornei-me tão fácil no riso, dou-o sem pedido ao desbarato. Já as lágrimas, nem por dinheiro. Deixo-as cair só quando me atinge uma emoção tão violenta que todo o meu corpo se revolta e manifesta. E o meu corpo está ainda a milhas do meu controlo. Ainda.
É escusado. Não posso salvar ninguém que não quer ser salvo. Nem a mim mesma.
É escusado. Não posso salvar ninguém que não quer ser salvo. Nem a mim mesma.
A puta da ironia.
Se eu soubesse que ser crescida era assim, teria ficado para sempre no país das maravilhas.
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