Oiço-te enquanto os meus olhos tentam fugir dos teus, procuro um poiso inofensivo onde os esconder, para que eles não me acusem. Ao longe, as palavras em perfeito antagonismo do que eu quero ouvir, palavras (que quero vazias, descabidas) caem em mim como calhaus, como um chuva de sapos, como um balde de água gelada, como um estalo na cara, um puxão de cabelos, um tropeção escadas abaixo, um monumental equívoco, como quiseres. E antes fosse um pontapé no estômago. Antes qualquer hematoma que eu pudesse evitar fazendo gelo. Insistindo. Mas não. Estás convicto e irredutível. Fechaste o peito e repeliste tudo o que ameaça abri-lo. O rosto muda, um sorriso que se alinha em recta, um olhar que se semicerra, glaciar, os gestos indiferentes, um discurso formal, uma postura indiferente. Não me consigo aproximar. Não deixas, não queres.
Não posso fazer nada, não há sentido para isso. Quem te estragou? Quem foi que deixou esse dorido com gosto amargo na boca? Soubesse eu, dava-lhe uma lição, para aprender a não interferir na felicidade dos outros. Diz-me onde dói, que eu dou um beijo que faz passar. Prometo.
Não posso fazer nada. Não posso ser mais do que eu.
E assim sendo, tiro-te o chapéu e desejo-te sorte para o caminho.
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