Sunday, September 9, 2012

the weather is changing

Bem que senti o tempo a mudar, as nuvens altas a formarem-se, a ganharem peso e consistência, a descerem, a escurecerem, um vento, totalmente fora do contexto, a levantar-se. 
Do nada, um lembrete [malandro, sacana, vil] a indicar-me um aniversário. De uma pessoa que já não está cá. Da minha pessoa preferida. Daquela que me levaram sem pedir licença. Tento, todos os dias, não pensar nele. Na imensidão que ele era e que ainda acredito que seja, onde quer que ele esteja. 

Amigos convidam-me para sair, para a folia, para os copos, mensagens secas a criticarem-me a recusa. 
Festejar o quê? Não iria suportar os sorrisos, as gargalhadas, o mundo a continuar a girar quando.. quando.. ele não está já nele.. Odeio todos os que se atrevem a sorrir nesse dia. 

Tenho saudades tuas, meu querido. Puta da vida, da doença, da injustiça, odeio um Deus que o permite. Uma pergunta que jamais terá resposta (porquê? porquê? porquê?), nem esse conforto a religião nos concede. 

Ao deixar a minha mãe em casa, reparo nos seus olhos brilhantes. Quer que a leve comigo para casa - não quero morrer sozinha, juras que não deixas a mãe morrer sozinha? - e eu não tenho resposta, não tenho coração para isto. Partiu-se nesse instante. Ela nunca me negaria este pedido. Largava tudo e vinha a correr em meu auxílio. A culpa de não lhe poder atender a este favor, vai morar sempre comigo, essa sim. 

Não entendo esta história irónica que todos os dias me troca as voltas.


2 comments:

  1. Não sendo um assunto tabu, nunca é uma matéria fácil, e quaisquer que sejam as palavras, jamais serão as mais assertivas.

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