Mesmo nos dias de sol há tempestades. Há raios e coriscos que não vêm só do céu, mas de absolutamente todas as direcções. O que fazer? Fugir? Abrigarmo-nos o melhor que pudermos e esperar que passe?
Não há previsão possível. A mais ligeira brisa de verão pode desencadear a pior das tormentas. Tão impotente. Tão irrelevante. Tão inútil a minha raiva, as minhas lágrimas, o meu desespero. Nem tenho a quem odiar, não tenho um botão que desligue tudo o que me faz sentir medo. E o meu pior medo é tudo o que não tem a ver comigo. É uma batalha condenada, mas apenas sei que a não posso perder, não posso baixar os braços, não consigo viver com o peso do "e se" na minha consciência.
E tomo como refúgio os meus filmes, as suas histórias patéticas que alguém inventou para me fazer rir ou chorar. E tornei-me tão fácil no riso, dou-o sem pedido ao desbarato. Já as lágrimas, nem por dinheiro. Deixo-as cair só quando me atinge uma emoção tão violenta que todo o meu corpo se revolta e manifesta. E o meu corpo está ainda a milhas do meu controlo. Ainda.
É escusado. Não posso salvar ninguém que não quer ser salvo. Nem a mim mesma.
É escusado. Não posso salvar ninguém que não quer ser salvo. Nem a mim mesma.
A puta da ironia.
Se eu soubesse que ser crescida era assim, teria ficado para sempre no país das maravilhas.
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