Thursday, January 31, 2013

making plans

Tenho esta to do list na cabeça, toda itemizada, por grau de importância e ordem de prioridade, mentalmente fixada numa parede branca. Revisito-a, amiúde, actualizando as coisinhas pequeninas que vão forçando o seu espaço nesta esfera redonda que vai sendo a minha atenção. E é preciso ter cuidado, porque a atenção facilmente resvala para dedicação e é aí que está o caldo entornado. Já estando. 
E vou observando, sem mãos, sem olhos, os achincalhanços que esta minha lista vai sofrendo, trezentos e xis graus em dez minutos, que nem contra um brisa matreira, fazendo a minha frágil lista girar em cambalhotas a fugir às minhas mãos, eu consigo agir.
E a importância vai perdendo pontos para a circunstância e a prioridade para a obrigação. Sem eu dar por ela, estou imersa na banalidade do dia a dia, a ocupar o cérebro com coisas que não interessam nem às formigas. 
Volto à parede branca, rasuro ponto a ponto o que já não se pode escrever, e havendo ainda uma reticência e meia que fosse lá esquecida, trato de enganar o texto e, a suor e lágrimas, pingo para lá um ponto. 

À merda, com a decepção da vida adulta e a expectativa de lhe poder organizar um plano.


2 comments:

  1. Com ou sem rabichos, com ou sem planos - mesmo na diagonal -, com ou sem uma normal decepção de gente crescida, já tinha dito que é, também, uma fonte de inspiração, aquilo que leio por aqui? Obrigado pela parte que me toca...

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  2. Muito me honra esse elogio. Obrigada por "acompanhares" estes meus pequenos apontamentos do quotidiano.

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