Não tenciono ser a segunda escolha. O refúgio para as frustrações, o saco de luta livre, esse ilimitado depósito de ressentimentos. Talvez nos devamos separar. Desenvolver vidas independentes. Não te podes recordar do amor (que alegas ter) por mim unicamente quando não estou presente. Não pretendo aguardar, noite após noite, envolta em lençóis vazios. Ser apenas mais um espaço em branco. Nem uma vírgula na tua frase. Não tenho de te recordar que amar é, também, algumas vezes dar, é bem-querer, é sentir a falta quando o outro não está. E tu nem dás pela minha falta. Esgotei-me de fixar sozinha as paredes descaracterizadas por um sentimento de não pertença teu. De espalhar coisas me que me revejo pela casa que só eu sinto possuir. Cansei-me de me prestar à mortificação de não sentires qualquer aspiração em me ter de branco, só para ti. Sonho de menina. Sonhos dos que, tão subtilmente, me foste desapropriando. Palavras leva-as o vento, já dizia o ditado. Fartei-me da nunca disponibilidade para mim. Chega de ser a compreensiva que ninguém compreende. Chega.
um beijinho para ti...
ReplyDeleteObrigada por partilhares este teu novo endereço! É um prazer descobrir novas artes de escrita!
ReplyDelete:( Saudades...
ReplyDeleteQuando apareces?
Espero que este texto não seja autobiográfico...
Jinhos