Saturday, February 16, 2008

sonho


Não te quero esquecer, não quero que desapareças como todos os sonhos, quero guardar-te, fixar-te, que a vida não tem isto, quero puxar-te para este lado, vou imortalizar a tua imagem.

Raiado de sangue, demónio e deus. Foi assim que apareceste.

À minha passagem, o teu rosto encarou-me, os teus olhos seguiram os meus. Olhos negros plantados nessa tua expressão saliente, os ombros varridos pelo negro do teu cabelo. Corpo extenuado da tua missão, sobretudo negro sobre os ossos. Os teus olhos acertaram-me, diziam, eu sei quem tu és (tu sabes quem eu sou), sabes o que eu faço, o que eu fiz (eu sei de onde vens), cumpri-te a minha promessa, salvei o mundo, olha como todos sobreviveram, fui eu (prometi-te), agora estou aqui, chamo-te para mim (tu chamas-me para ti), vem (vou até ti), quero dedicar-me ao teu corpo (deixas?), a cada centímetro da tua pele, quero derreter nos teus lábios (desenho-os nos meus), quero a tua alma (que a reconheço na minha), quero-te chegar tão próximo que sejas eu (eu sou tu), já acabou tudo, agora somos nós (também sentes o peito explodir?), estes olhos são teus (estes que te estremecem o corpo), só tu me fazes olhar assim (perderes a força nas pernas), abraça-me (vou apertar-te nos meus braços), vem (eu já estou em ti).

Fica, olhos negros, fica no meu sonho.

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