Thursday, February 14, 2008

Tudo no mesmo sítio. As conversas exactamente onde as deixámos. O peito gigante onde cabemos todos. E onde ainda há espaço para mais um. Navego nos teu olhos. Abraço a tua dor e desejo carregá-la contigo.

Imagino um fim de dia acobreado onde me abandono ao aconchego do teu colo, fazes-me festas na cabeça e murmuras uma cantilena com que embalas os teu filhos. E eu estou em casa, o sol a despedir-se no meu rosto e o teu indicador a enrolar uma mecha dos meus cabelos, adormeço sob o afago das tuas mãos cansadas e sonho em branco e dourado. Pergunto-me de onde vem essa força que é tua, é de todos os outros que ta pedem, de onde vem, que vigas te sustentam, que flores te abrem o sorriso.

É Outono e há, por todo o lado, uma quietude conspiradora. A brisa sustem-se à minha passagem, o gato vadio fita-me nos olhos (são os teus?), a folha madura imóvel a meio caminho, os carros dissolvem-se na estrada, só as corres se queimam e secam para me falar. O burburinho de folhas esquecidas entre as ramadas nuas respondendo ao vento brando que se fez convidado, sussuram o teu nome (foi um sonho?), o teu nome, o teu nome, diz-me o silêncio que és tu, o teu nome, no teu colo.
Desperto do meu sono, do meu sonho e tu não estás, mas estás, à minha beira enraizada na terra a fazer os corpos respirar. Vejo-te e sinto-me. Tu, és árvore.

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