Ir é apenas uma forma de não parar. Mexer, procurar, esticar o pescoço para cada sítio improvável, na busca da promessa na qual nos obrigam a acreditar, tantas foram as vezes que a nos impingiram “quando menos esperares”, pois tomem lá de volta as vossas frases feitas, que de chavões estão as pessoas solitárias cheias.
Vamos, porque temos de ser movidos, temos de sentir essa urgência de sair à procura da irracionalidade que se sacia com unicamente um olhar.. vamos, porque não ir é deitar a toalha ao chão ao amor, ou pior, à sua pequenina possibilidade. Vamos porque queremos sentir, muito, tudo, ou pelo menos qualquer coisa. Qualquer coisa que não doa, qualquer coisa alcançável, que estamos cansados de lutas perdidas e da determinação com que levamos, voluntária e sistematicamente, a cabeça contra muros de gelo. Vamos porque acreditamos que o amor é uma conta probabilística e encontrar isso, e recebê-lo de volta, é uma lotaria que se ganha para a vida.
Vamos porque é a maneira mais rápida de se substituírem afectos.
Vamos, nem que seja para voltarmos. Vamos, nem que seja para retornarmos aos mesmos sítios, para concluirmos que continuamos agarrados aos mesmos vícios, às mesmas conversas, aos mesmos sorrisos, aos mesmos cheiros. Vamos, porque não ir é “colocar-se a jeito” de um dia que se queira, não se consiga de todo partir.
Finalmente, vamos. Porque não temos como ficar.
Finalmente, vamos. Porque não temos como ficar.
Nem mais; no ir é que está o ganho, nem que seja - tal como escreves - para depois voltar.
ReplyDeleteGosto da música e muito do filme.
Eu também, gosto das duas coisas. Não sei bem porquê, quando estava a escrever só conseguia lembrar-me disso.
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