Não sei de onde surge este vício de escrever. De forçar palavras numa tela, misturá-las com algum sentido, e um nadinha de estilo, e em tentar que digam algo para além delas próprias. Que me digam algo sobre mim, algo que eu ainda não saiba ou que eu não consigo bem entender.
Muitas vezes, de tanto escrever, acho que se me esgotam as linhas e os sentimentos que tento que desenhem numa recta, que vão ter a algum sítio de útil, ou pelo menos para fora da minha cabeça.
Sei que posso aparentar algum - muito - pretensiosismo.
Enquanto isso arde qualquer coisa ao lume, qualquer coisa que me obriguei a cozinhar para mim e a qual não tenho a mínima intenção de comer. Não sozinha. Reconheçamos crédito à religião pela sublimidade da partilha do pão e do vinho.
Metade das vezes acho que sou. Mas na outra metade delas, venho a comprovar que não. Estou ainda no limbo da descoberta. A pender, todavia, para a minha mortalidade. Tenho de ceder à vulgaridade da expectativa e do quanto ela se pode transformar na petulância do sexto sentido.
Mais uma vez falta-me o vinho. Apesar de pobre, há uma certa magnanimidade num cálice solitário de vinho à beira de um teclado.
Posto isto, vou resignar-me à luxúria da pretensão do ser humano. Não sou mais nem melhor que ninguém.
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