Acordara com uma mensagem (Estás em casa? Abre). Descera as escadas sem conseguir abrir os olhos do excesso de luz, dormira demais (e que nervoso miudinho, o que será que ele estaria ali a fazer logo pela manhã?). A porta abrira-se e, como um Adónis ofuscado pela luz, só conseguiu ver o seu vulto, os músculos dos braços desenhados pelo peso dos sacos que carregava. Deu-lhe um beijo na testa (cheirava bem, aftershave, aquele perfume masculino e doce que já lhe começava a ser familiar), sobe vá, volta para a cama. Obedeceu a medo (que teria ele em mente, decididamente a relação ainda não tinha chegado a esse ponto e não queria apressar-se em nada, fazer absolutamente nada antes do tempo), escondeu-se por debaixo do edredão sem, no entanto, conseguir fechar os olhos. Escutava ruídos diversos na cozinha, claramente alguém que ainda não conhece o caminho das coisas, mas optou por não oferecer ajuda.
A porta do quarto abriu-se, lentamente, por detrás surgiu ele, já sem o casaco, transportando um tabuleiro. (Como é que ainda não tinha reparado nas suas mãos, linda, dedos compridos, bem desenhados, pulsos firmes, unhas limpas e rasas). Sentou-se a seu lado, depois dela se desviar para lhe dar espaço e sentar-se, ajeitando uma almofada nas suas costas. Ele acariciou o seu rosto, usando o mesmo movimento para lhe prender os caracóis desalinhados por detrás da orelha. Serviu-lhe sumo, salpicou umas gotas de mel nos scones e deu-lhe um morango a trincar (quem é este homem e porque razão não se tinha apaixonado por ele antes?).
Ao terminar, encostou-se ao seu lado, o braço enorme dele surripiou por cima dos seus ombros e ali se deixou adormecer.
Sentia-se embalada pela sua respiração, envolvida por um cheiro no qual tinha inevitavelmente, agora mais que nunca, de se perder (dure o que durar, não ia procurar mais).
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