Wednesday, April 11, 2012

Doce. Leve. Suave. Macio, como uma pena que seduz e arrepia. Morno, como o sol na pele numa tarde de primavera. Embriagante e ardente, como um licor velho que se sente nos lábios e queima todo o corpo à sua passagem. Envolvente, como um camisola de lã numa noite fresca de verão.
As mãos tremiam-lhe mesmo dentro dos bolsos do blusão só porque caminhavam a centímetros de distância. Os prédios que os envolviam, e os juntavam a cada passo mais um pouco, sopravam-lhe o perfume dele e ela sentia as pernas falharem-lhe. 
De vez em quando, admirava-o na diagonal, quando ele não estava a reparar e, incrédula, não entendia como tinham chegado ali, em tão pouco tempo. Não. Decididamente já não tinha escolha. Já não podia, já não queria recuar.  
Sorrateiramente, ele deslizou a sua mão para o bolso do blusão dela roubando, dedo a dedo, a mão dela para o aconchego da sua. Foi assolada por um arrepio e, fugindo dos seus olhos, libertou um sorriso cúmplice. Caminharam de mãos dadas, trocando conversas ligeiras, histórias antigas e gargalhadas até ao destino. Não queria que chegasse ao fim aquele minuto que passou entre o princípio e o fim da noite. Reparava nos pormenores dele que subitamente ganhavam importância, o sorriso, tímido apesar da firmeza, o olhar, curioso, atento, a cabeça ligeiramente flectida para a ouvir, as pernas, arqueadas do desporto, uma cicatriz no braço, que ainda não tinha conseguido apurar, a pausa, durante dois segundos entre a última palavra dela e a primeira dele. O entusiasmo à chegada. O abraço, na despedida. O cheiro dele que lhe ficava nas mãos, durante horas depois de o deixar.
Foi a conduzir para casa, com um sorriso nos lábios e um calor no peito. Estava apaixonada.

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