Sou absolutamente incorrigível. Mas não vou pedir desculpas por isso.
Nem me mexi. Surgiste à minha frente, como a primavera no meio da tempestade, atiraste-me com a luz do teu olhar de frente, nem me deste tempo de me encobrir. Não estava preparada para esses olhos azuis. Baque no peito. A circulação gelada, dentro das minhas veias. Baixaste os olhos, disfarçando, escondendo que os meus olhos te perturbaram de volta. A sala escureceu, quando a abandonaste de novo ao inverno. Não te vi sorrir. Sei que os não deves entregar de barato. Detesto sorrisos fáceis, e raramente me importo por quem os distribui como gelados na praia.
Mas tu, não. Tu és diferente, não és? Tenho para mim, que não voltaria a pensar em ti, não tivesse a tua fotografia surgido, por acaso ou circunstância, no meu monitor. E já me conheço o suficiente para saber os sinais da minha sorte. Sorrio. Oscilo. Reflicto. Observo.
E há uma sequência de imagens que se constroem no meu futuro. Uma conversa, o teu sorriso (que quase posso jurar que é) envergonhado. Perderes a naturalidade, e tentares esconder esse segredo com movimentos desajeitados. Passares a mão pela nuca e quedá-la no teu pescoço. Olhando o infinito. Evitando o meu olhar.
O primeiro beijo, que certamente me vais roubar num segundo, o qual não vais distinguir entre a loucura e a ousadia (porque vais pensar ou dizer-me que não tens jeito para estas coisas), o no instante após o furto, em que me vais fixar à espera de uma reacção que nunca poderá ser outra que não repeti-lo, com mais demora. Vais olhar para baixo, sorrir de nervoso, segurar-me pela mão e levar-me contigo.
E depois disso, não a vou largar mais.
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