Sunday, April 8, 2012

Faltavam precisamente duas horas para o encontro. Estava nervosa. Programava ao minuto as horas a que tinha de entrar no banho para ter tempo, todo o tempo que precisava, para se arranjar com calma, como queria, para não falhar absolutamente nada. Secar o cabelo, metade secador, a outra metade ao natural. Nem mais, nem menos. O creme do rosto. O leite corporal para bebé. A maquilhagem. Tinha estendido sobre a cama a roupa que ia usar. Duas alternativas. Estava nervosa. Estupidamente nervosa. Estaria a fazer o acertado? Mais que nunca faltava-lhe o conselho do melhor amigo. Tentava acalmar-se com um cálice de Porto. Navegar na internet, rabiscar algumas palavras que lhe saiam todas ao contrário. Uma música. Essa não, outra, também não. Demasiado electro, demasiado deprimente, demasiado comercial. Não conseguia escolher. O tempo passava devagar. Ainda ia a tempo de arranjar uma desculpa para se esquivar ao encontro. Era tão mais fácil. Mas era traída pela vontade que, de alguma forma, vencia a cobardia. Já não estava com ele, em presença, há uns dias. Aquele estranho que acabara de entrar na sua vida. Havia pormenores dele que já não se recordava com tanta clareza. A voz. As mãos. O que permanecia forte na sua memória, era a sensação do conjunto. E ao pensar nisso, sentia um nervoso miudinho no estômago. Sem razão nenhuma. 
Quando voltou a consultar o relógio, já tinha perdido uma hora. 
Decidiu antecipar o banho e aproveitar a água quente para relaxar a sua ansiedade. 

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