Às vezes acho que não tenho lugar neste mundo. O ser humano, dotado do seu privilégio resultante de milénios da lei de Darwin, no que toca à racionalidade e à emoção, teve o condão de conseguir inúmeras maravilhas. Mas também as piores barbaridades para com o seu próximo, o seu igual, o seu irmão. A ambição, quando desmesurada, cega e corrompe. Especialmente, os de espírito fraco, os de carácter volátil, os de egoísmo crónico. E eu não me adapto a este modus operandi. Nem quero.
Cada vez mais sou assolada pelo ímpeto da mudança, da fuga. De retornar às raízes, de cultivar a terra e dela obter a minha subsistência.
Quero uma cabana, árvores e terra ao meu redor, um rebanho de filhos a puxarem-me pela saia, histórias ao adormecer, cultivar esperança e ética nos olhos brilhantes e ingénuos de quem tem tudo para conhecer, todas as possibilidades de fazerem a diferença.
Quero uma vida nova, que esta já não me serve. Quero uma fogueira na praia. Um abraço de quem me ama. Quero o beijo de quem me admira. Quero as minhas pessoas de volta.
Pois eu recuso-me a ser isto para me integrar nesta violência que é o mundo, e a gente que orienta a sua evolução.
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