Ora bolas, logo agora que já tinha feito planos, pensou ela, não posso desmarcar (ou será que posso - tentava encontrar nas paredes à sua volta uma desculpa que fosse credível), logo agora que já não tinha grandes expectativas que a procurasse, logo agora que já estava no processo inverso. Mas não conseguia evitar, fugir, queria baldar-se a todos os compromissos que não fosse ele, nada que pudesse fazer, ninguém com quem pudesse estar, lhe podia dar um miligrama do que ele lhe dava em apenas um sorriso.
Revisitando aquelas memórias muito recentes, recordava da propriedade com que lhe pousava a mão sobre o joelho, o rubor no rosto que ela, com esforço, disfarçava, a indiferença com que representava aquele gesto que ela só queria que não tivesse prazo definido. E os pensamentos traíam-na, queria que aquele, e o outro, joelho fossem dele, o resto das pernas, os braços, as mãos, a cabeça, o cabelo, dava-lhe tudo o que fosse corpo, porque a alma, mesmo que ele o não soubesse, já era sua.
Tinha-se aberto uma janela de oportunidade, nem a propósito, o compromisso desfizera-se, teria coragem de recuperar a vontade dele de a ver?
Mas qualquer coisa a travava. A dúvida instalara-se. A ambivalência entre o "para a frente é que é caminho" e a iminência da repetição, de a qualquer momento poder ver nele um olhar vazio, um sinal de desinteresse, uma frase fugidia esboçando um "já não sei se quero", gelava-a, imobiliza-a.
Deixava a resolução para o impulso que, a um minuto do encontro, deixaria tomar a decisão por si.
No comments:
Post a Comment