Wednesday, April 18, 2012

Pés descalços na areia, quatro, calças enroladas acima dos tornozelos, sapatos à tira colo. 

A humidade, do mar, do clima, a pesar com pouco significado sobre a pele arrepiada de ambos. Mãos inocentes, guiadas por desejos escondidos à espera de ver a luz da lua, rasando-se em provocação. Paragens, inesperadas no curso da linha de rebentação, para olhar os meus olhos, paralelizando-os com a profunda cor de oceano, tal como ele, os meus não têm fim. Dois dedos enrolados nos meus caracóis, um peito colado às minhas costas, peito gigante onde toda eu encaixava, outro braço envolvendo a minha cintura. Um perfume estonteante, uma respiração ao meu ouvido, interrompendo o silêncio confortável. As palavras não eram pedidas, não eram dadas, só a música das ondas, os sons dos tecidos agitados pelo vento, pelos movimentos, uma força de braços que não queria largar. Emoções, demasiadas, mais que muitas, todas juntas, nem sabia em qual pegar primeiro para beber de cada uma delas, com tudo a que tenho direito. Respostas a perguntas que não precisaram de sair à rua, surgiam como ondas a desfazerem-se nos nossos pés. Sem pressa de ir para algum lado, o tempo desistiu de girar ponteiros, porque não havia  mais nenhum outro sítio para onde ir.


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