Escrever sobre ti é dissecar uma tela de Picasso. É dizer que Deus tem pele e tem carne e que se lhe pode tocar. É descrever, falando, ao que sabe um figo maduro. O prazer irreproduzível. Falar sobre ti é adocicar o imenso Oceano, que escorre pelo rosto dos namorados. E eu preciso de sal, quase tanto como do sabor do figo maduro. Menos do que preciso de uma tela de Picasso. Medir a tua dimensão é contar as estrelas que salpicam o céu. E tentar apagá-las num sopro. Não sei escrever sobre o que não tem limite, por isso ignoro o Universo, atrás de mim, por isso mergulho no Oceano e não diviso o seu fundo. Por isso, a música liberta-me as lágrimas que o imenso Oceano salgou. Por isso seguro num punhado de areia e me delicio, à sua fuga, por entre os meus dedos.
Por isso, não tenho ilusões sobre onde chegas. Não vejo mais do que és. És mais do que as pessoas vêem. E escrever sobre ti seria capturar uma imagem impossível porque, nesse preciso instante, já teria escapado para outro qualquer lugar.
Por isso, não tenho ilusões sobre onde chegas. Não vejo mais do que és. És mais do que as pessoas vêem. E escrever sobre ti seria capturar uma imagem impossível porque, nesse preciso instante, já teria escapado para outro qualquer lugar.

No comments:
Post a Comment