Acho que está na altura de regressar. Afinal esta é a minha casa, uma vez um amigo disse-me que não se abandona a nossa casa. E eu tenho saudades da minha casa.
Hoje o meu sobrinho, ao beijar-me, disse-me, tia, gosto de ti. Aos três anos de existência fala-se dos sentimentos sem medos, o que acontece a essa naturalidade quando crescemos? Teremos medo de os assumir? Empreendemos todos os nossos esforços em eliminá-los, porque sentir contraria a nossa razão, deita por terra as mais bem fundamentadas teorias, e ninguém quer ficar sem chão.
Ontem, um estranho disse-me algo parecido, eu sei que não vais acreditar, não vais confiar, mas gosto mesmo de ti, não preciso saber mais nada do que sei, e amanhã não vou gostar menos de ti. Mas gosto.
E apanhou-me na curva.
E apanhou-me na curva.
Como é que se fica indiferente a um "gosto de ti"? Por mais irracionais que sejam, sem sentido, sem fundamento, sem sustentação, os sentimentos são o que são, e no instante em que emergem de alguém, são a maior demonstração de força que podemos ter o privilégio de observar. Partilhados sem medos, segundas intenções, sem querer nada de volta a não ser mostrar que alguém tem significado para alguém. No meio de gente estranha, de expressões indiferentes, sorrisos vazios, olhares inertes, gente bonita, gente feia, gente assim assim, há pessoas especiais.
Um gosto de ti, dá-lo e recebê-lo é a coisa mais fantástica que podemos fazer por alguém ou por nós.
Um estranho não voltará a ser estranho. Obrigada. Ensinaste-me algo importantíssimo. Os sentimentos não são nossos, são das pessoas por quais os nutrimos. Quero aprender mais, tudo, devagarinho, como se tivesse acabado de nascer. Como se tivesse outra vez, três anos de idade.
No comments:
Post a Comment