Hoje sonhei com ele. Curioso. Há muitos anos que nem sequer me recordava das suas feições. E, talvez por isso, decidiu visitar-me esta noite. Trazia uma expressão serena, de quem se tinha esquecido das mágoas provocadas por mim. E, como em todos os sonhos onde nem tudo faz o sentido que devia, recordo de pequenos pormenores que só um sonho podia ressuscitar. E quanto tempo demorei a rasurá-los da minha memória… sonho maldito! Os dedos afunilados nas extremidades e a maçã de adão agravada pela magreza. Um sorriso desarmante. Carinho meu, carinho desconcertante.
De qualquer modo invadiu o meu leito, esta noite, para me recordar que o passado é só outra forma do presente. Porque não o enterrei, não lhe fiz luto. Não vesti preto e não derramei lágrimas por si. E precisava tê-las derramado. Porque assim não consigo aceitar que ele já não exista para mim.
Descansa em paz, aconchego meu.
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