Vou dormir, vou descansar. Fechar os olhos, pesar o corpo, deter o cansaço. Vou tirar os sapatos, cobrir-me de sedas, fechar os estores, correr as cortinas, calar os sons, ignorar o mundo.
Vou descansar porque o corpo pede, o corpo precisa e a alma não deixa. Estar alerta, estar sempre de vigia, porque alguém pode chamar, porque o que é preciso ainda não foi feito, porque há mais a fazer e amanhã não é dia, amanhã não é resposta e eu sou só uma, tenho apenas duas mãos que não chegam para as encomendas. As encomendas são listas que o meu pensamento projectou, que a minha alma exige de mim, porque eu ainda não fui aprovada.
E amanhã chega o dia, amanhã a avaliação, e a prova não está finalizada, a responsabilidade falhou, o meu trabalho falhou, a minha resposta é insatisfatória.
E amanhã vai chegar.
O meu corpo já não consegue e eu não o ludibrio mais que ele já não cai, e ele cede, ele tropeça, a tontura a quarenta e cinco graus acima dos olhos, a náusea deslocalizada sempre presente, a maçar e o corpo a gritar, que não há tempo, que o tempo já passou, que é tempo de o deixar de haver.
E amanhã chega. E eu vou dormir. Vou aceitar a fadiga, vou embrulhá-la em pacote, remessá-la para longe. Vou abraçar o travesseiro.
Não me digam nada. Não me telefonem, não me procurem que hoje, vou descansar.
Vou descansar porque o corpo pede, o corpo precisa e a alma não deixa. Estar alerta, estar sempre de vigia, porque alguém pode chamar, porque o que é preciso ainda não foi feito, porque há mais a fazer e amanhã não é dia, amanhã não é resposta e eu sou só uma, tenho apenas duas mãos que não chegam para as encomendas. As encomendas são listas que o meu pensamento projectou, que a minha alma exige de mim, porque eu ainda não fui aprovada.
E amanhã chega o dia, amanhã a avaliação, e a prova não está finalizada, a responsabilidade falhou, o meu trabalho falhou, a minha resposta é insatisfatória.
E amanhã vai chegar.
O meu corpo já não consegue e eu não o ludibrio mais que ele já não cai, e ele cede, ele tropeça, a tontura a quarenta e cinco graus acima dos olhos, a náusea deslocalizada sempre presente, a maçar e o corpo a gritar, que não há tempo, que o tempo já passou, que é tempo de o deixar de haver.
E amanhã chega. E eu vou dormir. Vou aceitar a fadiga, vou embrulhá-la em pacote, remessá-la para longe. Vou abraçar o travesseiro.
Não me digam nada. Não me telefonem, não me procurem que hoje, vou descansar.
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