De peito descoberto, cabelo alinhado simetricamente nas duas metades da almofada, uma respiração imperceptível, os lábios imaculados, o rosto subtilmente iluminado pelo luar que entrava pela janela entreaberta. À cabeceira, apenas uma cadeira a suportar um volume de histórias marcadas mais ou menos a meio. Os chinelos a interromper a textura lenhosa do soalho. Quatro paredes monótonas, demasiado próximas umas das outras, para o desejo de liberdade que ali dentro se sonhava.
Uma figura que se aproximou, em sombra, do leito que justificava aquele doce descansar. Dois lábios que tocaram os que dormiam, noutro plano, outros que não os distinguiam em que parte da realidade os enquadrar, outros que devolveram o beijo.
Teria sonhado?
O terceiro homem tinha-a feito esquecer os únicos dois outros que a tinham beijado.
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