Starting again não é starting over.
Começar de novo, quantas vezes nos predispusemos a fazê-lo? Quantas vezes o fizemos crendo nisso como o último esforço de vida, o último sopro da ressuscitação, como se viesse até a nós o poder de Afrodite e Atena, numa só mão, como se isso fosse só o que é preciso para alterar um resultado conhecido?
Starting over é diferente. Starting over é desistir. Starting over é começar sobre o acabado. Depois de matar o desejo da possibilidade, depois de desconstruir uma imagem conhecida, obrigando a que a certeza do que não vamos conseguir, nunca e de maneira nenhuma, caia sobre nós, com toda a força e o peso que só a certeza pode ter. Starting again é ser fraco. Starting over é sermos mais fortes que cada célula e músculo do nosso corpo. É aceitar a derrota, é despedirmo-nos do que nos destrói um bocadinho cada dia, é assumir que o mal que nos faz é infinitamente maior do ligeiro bem que imaginamos que eventualmente possa nos possa trazer. É crer que as bases que nos deixam pós de esperança nos olhos são infundadas e alimentadas por construções deturpadas da nossa memória. É devolver o passado ao sítio que ele merece e colocar um céu e um mar sobre o ali e o agora. O agora é mais exigente, mais duro, mais implacável. Obriga-nos a sobreviver em lugar de nos deixarmos ir vivendo com sucessivos starting again.
Starting again é fácil. Starting over é outra coisa. É deixarmos de caminhar sobre um chão que já deu uvas.
É acreditarmos que valemos mais do qualquer expectativa. É, no fundo, gostarmos mais de nós do que de qualquer outra coisa.
I'm starting over. Again.
I'm starting over. Again.
and here we go again...
ReplyDeleteYou bet!
ReplyDelete