Monday, January 9, 2012

Crescer

Isso irrita-me. Sobremaneira. Até considero ser, na maior parte dos meus dias, uma pessoa serena, tranquila, de paz com a vida. Mas há limites para qualquer paciência. Será que não entendes mesmo o ridículo das tuas acções? A pequenez com que tentas, infrutuosamente, alcançar os teus objectivos? 
Essas alterações de humor, a indiferença com que decides intencionalmente castigar as pessoas, especialmente aquelas que se comprometeram a ficar incondicionalmente ao teu lado, causam perplexidade e estupefacção. É mesmo verdadeira a ingenuidade com que consideras que ninguém está a reparar, especialmente nós que já vivemos um bom bocado, que estás desesperadamente a tentar chamar a atenção? Não é assim. Assim, não, meu doce. A forma mais simples e objectiva de o conseguires é dizê-lo com a mesma frontalidade com que o estás a sentir. "Preciso de um carinho, de um mimo, que cuidem de mim." Achas que é fraqueza? Eu acho que é força, de assumir o que se sente, o que se quer, o que se precisa e de ir atrás disso. Ninguém, acredita, ninguém, o fará por ti.
A vergonha? O constrangimento? De quê? De viver com o coração? De sentir? Acharia vergonhoso sim, não fazer.
Isso faz-me recordar uma conversa, a propósito de uma outra história, em que não entendias porque as pessoas dão piropos e tecem elogios inconsequentemente, ou seja, se não estão apaixonadas. E pior, porque o fazem a mais do que uma pessoa. Porquê? Porque as coisas bonitas são para por cá para fora, os sentimentos bons são para se partilhar no momento, porque não há motivo de os guardar só para nós se podemos, com essa pequena afirmação, fazer alguém sorrir. Deixar coisas por dizer? Porquê? Porque as palavras custam dinheiro? Porque as guardamos para "aquela" pessoa, que pode ou não existir, e que pode ou não ser  tão especial quanto a que pusemos, em seu lugar, no topo do pedestal? Porque até ter a certeza se a pessoa "merece" ou não ser acarinhada, o melhor é não a fazer sentir bem? Bah. Apaixono-me todos os dias, por coisas pequeninas, por palavras, por gestos, por cheiros, por olhares, por amigos, por desconhecidos, por pessoas atraentes, por corações gigantes e é um crime eu não o ter dito no preciso momento em que o estava a sentir. Porque o momento passa. E o sentimento, expressado, fica. 
Por favor, pára de te estragares com essas atitudes. Saí de ti própria. Tiveste a tua oportunidade. Rejeitaste-la. Em consciência. Agora queres o quê? Ser apaparicada até à morte, que alguém abdique da sua auto-estima e individualidade para alimentar a tua? Não. Não é assim.
Vai crescer. Vai aprender. Longe. E se possível, à custa de ninguém.

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