Hoje estou assim assim. Não é meio da semana, mas pelo menos também já não é o princípio. Estou a trabalhar com mais ou menos vontade. Não tenho muita, mas também já tive menos. Está sol, mas há aqui uma espécie de nuvem a fazer sombra à minha luz. Falta qualquer coisa. Planos. A motivação para fazer algo de completamente diferente. Estou sem ideias. Sem vontade. De ficar ou de ir. De falar.
Não vamos falar. Vamos apenas ficar em silêncio, os dois. Podemos abrir uma garrafa, ir até ao alpendre e ficar a ver o por do sol. Ver as cores esbaterem-se no céu e a transformarem-se umas nas outras. O som dos pássaros a atenuar-se. O burburinho da água, muito ao longe. As árvores escurecerem. A humidade a eriçar os meus cabelos. O nível de vinho, lentamente, a reduzir-se. A tua respiração a acalmar-me. A massa de ar frio a envermelhecer os nossos rostos pálidos.
Em silêncio os dois. Sem pressas e sem constrangimentos. Também não queres falar. Não o façamos por achar que só assim será suficiente. A tua companhia basta-me. Poder dar-te a mão, quando sentir a falta dela. Deitar a cabeça no teu ombro quando o cansaço chegar. Aconchegar-me no teu casaco, quando o meu for pouco. Poder olhar para ti, e saber-te ali.
Vamos ficar em silêncio. Contigo. Basta-me.
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