Não me apetece dançar hoje. Lá em cima um manto de nuvens que me ensombram, que raiva não poder controlar estes fenómenos atmosféricos, preciso de calor, energia, de LUZ, para criar os meus próprios pontos escuros. Assim não me refúgio no azul no céu e em tudo aquilo que, desconhecendo, sei que ele encima.
Preciso do azul que, fitando-o, mesmo de olhos fechados, me faça recordar o cheiro a água salgada e o incómodo dos grãos de areia a maçar o corpo. E hoje o azul foi substituído por um cinzento dormente, melancólico, que distende os vinte e quatro músculos faciais de que preciso para rir.
Tenho uma sensação estranha de que me falta algo. Não aquilo que já estou cansada de saber, mas falta-me mais. Parece que se quebrou algo que me fazia falta. Está vazio cá dentro.
E não consigo que o azul lá de cima me dê uma dica sobre o que isso possa ser. Tenho uma ideia, mas tento afastá-la, porque a minha cabeça, às vezes, ludibria o coração e faz-me crer que quero algo de que, na realidade, não necessito. Ou será o coração que engana a cabeça?
Não devia ter tanto tempo para pensar. Como dizia o Outro Senhor, “pensar é estar doente dos olhos”.
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