Gosto da liberdade solitária com que construo e rearranjo as minhas rotinas. Gosto de ter um espaço só para mim onde não há horas marcadas. Gosto dos cigarros tardios à janela, a música que não tem prazo para começar ou acabar.
Gosto do silêncio que me deixa pensar e do teclado onde o posso escrever.
Dos cafés, das merendas, dos petiscos, das bebidas, das velas, dos cheiros a horas impróprias. Das companhias que me aprouverem.
Gosto particularmente das amizades improváveis e das suas infinitas disponibilidades. Poder procurá-las quando não tenho vontade de jantar sozinha. E elas aceitarem sem reservas. Gosto de conversas longas sobre tudo e nada, sorrisos, expressões cúmplices, companheirismo. Gosto da partilha.
Gosto das imperfeições da minha vida, perfeitas para mim.
Gosto de me deitar, cansada de noite, sabendo que tenho menos horas das que gostaria para dormir, e adormecer de sorriso nos lábios. De fechar os olhos e, com eles, o dia pleno que ficou para trás.
Não mudava nada. Talvez um pormenor ou outro. Mas depois a minha vida deixava de ser imperfeita, e que graça é que teria?

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