Hoje cresci mais um bocadinho. Talvez apenas meio milímetro, um comprimento que não se vê.
Acordei, fora de horas, levantei os estores da janela, deixei o sol dourar a parede branca do meu quarto e, sobre ela, vi uma série de imagens desorganizadas, um conjunto de frases, excertos de conversas, retalhos de acontecimentos passados que, sob a minha fixação atenta, se reorganizaram num padrão que subitamente fez sentido.
Não foi preciso muito, apenas distância na dose certa. Retirar o excesso de ansiedade e uns pozinhos de envolvimento. O mais curioso é que temos sempre a resposta às nossas perguntas, podemos é não conseguir encontra-la de imediato por não ser aquela na qual queremos acreditar. Mas as mensagens estão lá todas, nos mais pequenos detalhes das reacções do próprio corpo. Um sorriso. Um esgar. Um franzir de testa, levantar de sobrolho, uma comichão na cabeça, um calor no peito, um tique nervoso, uma urgência de qualquer coisa. E, ainda assim, viramos pedras à procura das nossas respostas. Não da verdade, mas das respostas que precisamos de ter. As mentiras. Os nossos auto-logros privados.
Colocamo-nos atrás de um fila, sem saber porquê. Sem conhecer o produto. Mas quando a procura é grande, seja a oferta a que for, isentamo-nos dessa matemática interna e aplicamos de cruz essa lei elementar da economia. Mais tarde, vamos buscar o resultado das contas.
O mais difícil é deixar a natureza seguir o seu curso. Mesmo tendo a capacidade de o mudar.
Passo atrás. Observar. Fazer nada. E cruzar os dedos.

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